A Cia. Fábrica São Paulo estreia o espetáculo “Antígonas” no dia 14 de maio em São Miguel Paulista

Apresentando o texto clássico de Sófocles numa versão popular para o teatro de rua, traz o épico e o dramático à cena, numa harmoniosa combinação.
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Contemplada pelo Prêmio Zé Renato de Teatro, da Prefeitura Municipal de São Paulo, a Cia. Fábrica São Paulo estreia o espetáculo “Antígonas” no dia 14 de maio, às 18h30, na Ocupação Casarão Vila Mara, na Vila Mara, em São Miguel Paulista. As apresentações serão gratuitas e acontecerão em ruas e praças. Serão 13 apresentações e acontecerão em diversos locais da cidade, como Praça Canhoba, em Perus; Largo da Matriz, na Freguesia do Ó; Instituto Pombas Urbanas, em Cidade Tiradentes; Largo do Rosário, na Penha; Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, entre outros.

A Cia Fábrica São Paulo apresenta o texto clássico de Sófocles numa versão popular para teatro de rua. De um modo claro, mas sem perder a força da história, esta tragédia escrita em 440 AC ganha uma nova roupagem e a relação com o tempo atual torna-se inevitável. A intolerância de Creonte e a transgressão de Antígona colocam esta peça como a mais atual entre todas as peças gregas.

A encenação nasce de uma proposta cenográfica da Cia. Fábrica São Paulo para o diretor Mário Santana. Uma carretinha baú, utilizada no próprio transporte dos materiais de cena, desdobra-se numa estrutura de 06 palcos que somados a 03 plataformas móveis elevam o elenco do chão, possibilitando visibilidade e dinamismo na execução das cenas e das músicas, tocadas e cantadas ao vivo pelos próprios atores. A dramaturgia elaborada por Calixto de Inhamuns propõe aos atores serem ora narradores, ora personagens que povoam a tragédia de Sófocles e, numa linguagem acessível a todos, traz o teatro épico e o dramático para a cena, numa harmoniosa combinação.

A peça traz o enfrentamento de questões que permeiam a sociedade atual: interesses do Estado confrontam-se com questões individuais que, uma vez tratadas na esfera da coletividade, tornam-se um drama social. A luta solitária de Antígona, resistindo às vozes que lhe são impostas, é forte o suficiente para a derrocada de Creonte, mas, ao mesmo tempo, desvela o desamparo daqueles que a um preço alto se responsabilizam por aquilo que acreditam.

No âmbito político e social, a intolerância está presente na falta de disposição para se aceitar comportamentos e pontos-de-vista diferentes e que, em muitos casos, acarreta conflitos de ordem étnica, sexista, religiosa e política. Tomar conhecimento deste texto de Sófocles é essencial à formação ética daqueles que atuam na defesa de avanços nos processos civilizatórios, tornando-se imprescindível neste momento em que, no mundo todo, eclodem conflitos entre indivíduo e Estado. As mães que querem enterrar seus filhos desaparecidos no Araguaia, na Argentina, no Chile, nas comunidades brasileiras, na Síria, na Nigéria; o suicídio de Mohamed Bouazizi, jovem vendedor de frutas que ateou fogo em si mesmo e deflagrou a Primavera Árabe são algumas situações em que resistem as atuais Antígonas.

Uma das sete peças sobreviventes do grego Sófocles, a tragédia “Antígona” tem início um dia após o exército de Argos ter sido derrotado nos portões de Tebas. Os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinice, legítimos herdeiros do trono tebano, lutaram em lados opostos e foram mortos um pelas mãos do outro. Com a vacância do trono o seu tio Creonte proclama-se rei e anuncia seu primeiro decreto: Eteócles que lutou na defesa de Tebas será sepultado com todas as honras que merecem os grandes heróis, quanto a Polinice, que lutou ao lado do inimigo, este permanecerá insepulto e seu corpo ficará exposto a sanha das aves carniceiras. Antígona, sentindo o direito de enterrá-lo, contrapõe o decreto real e sepulta o irmão. Ao saber de sua transgressão, Creonte intransigente não dá ouvidos aos apelos de todos e condena Antígona à morte, desencadeando uma série de acontecimentos trágicos.

SINOPSE: A luta solitária de Antígona – resistindo às vozes que lhe são impostas – é forte o suficiente para acarretar a derrocada do poder em Tebas e, ao mesmo tempo, desvela o desamparo daqueles que a um preço alto se responsabilizam por aquilo que lutam.

HISTÓRICO DO GRUPO: A Cia. Fábrica São Paulo de 1986 a 1992 manteve sua sede de trabalho num antigo edifício no bairro da Penha – o Cine São Geraldo. Os primeiros espetáculos ocupavam construções arquitetônicas não comumente utilizadas pelas artes cênicas. EPISTEMOLOGIA DO MEDO, EBENEZER, EM PRETO E BRANCO, EXPRESSO EXPRESSÃO e PAULA são os espetáculos desse período. A partir de 1990 produz espetáculos em formato de arena, apresentados em praças e espaços alternativos, atingindo uma média de 200 apresentações e 35 mil pessoas por ano. São eles: O ARQUITETO E O IMPERADOR DA ASSÍRIA, de Fernando Arrabal; EM ALTO MAR, de Slawomir Mrozec e MACBETH, de William Shakespeare. No fim da década de 90, convidam o inglês Robert McCrea para a direção de dois projetos: a estreia de A FALECIDA de Nelson Rodrigues no Festival de Cantebury, Inglaterra, e a segunda montagem de MACBETH. Em 2002, a Companhia é contemplada pela primeira vez pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo e inaugura, em fevereiro de 2004, o TEATRO FÁBRICA. No mesmo ano, estreia PEQUENOS BURGUESES, de Máximo Gorki. A partir de 2004, o grupo investe numa pesquisa que busca sistematizar a constituição do ator a partir de sua memória pessoal e historicidade, resultando na produção dos espetáculos GÊNERO HUMANO e ENSAIO PARA UM ESPETÁCULO. Em 2009, após ser contemplada pela quarta vez pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, estreia O OUTRO PÉ DA SEREIA na unidade do SESC Paulista e publica o livro MEMÓRIAS DE OUTRO MAR – PESQUISA ARTÍSTICA DA CIA. DE TEATRO FÁBRICA SÃO PAULO. Atualmente, circula com os espetáculos ANTÍGONAS, Prêmio Zé Renato 2015/SMC, e A CONFECÇÃO DA QUEDA, Prêmio Procultura de Estímulo ao Circo, Dança e Teatro 2010/MINC.

Programação

MAIO
14/05 (sábado) – 18h30 – Local: Ocupação Casarão Vila Mara – Praça do Casarão – Vila Mara.
15/05 (domingo) – 16h – Ocupação Artística Canhoba – Praça Canhoba – Perus.
21/05 (sábado) – 17h – Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 215 – Freguesia do Ó.

JUNHO
04/06 – 16h – Local: Instituto Pombas Urbanas – Av. dos Metalúrgicos, 2100 – Cidade Tiradentes – Fone: 2285-7758
11/06 – 16h – Local: Casa de Cultura Palhaço Carequinha – Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 – Parque América (Grajaú) – Fone: 5924-9135
18/06 – 16h – Praça Aleixo Monteiro Safra (Praça do Forró ) – São Miguel Paulista
19/06 – 16h – Largo do Rosário – Penha de França (Festa do Rosário 2016)
25/06 – 16h – Casa de Cultura Chico Science – Rua Abagiba, 20 – Ipiranga – Fone: 2969-7066 / 2352-1138

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Calixto de Inhamuns
Direção: Mário Santana
Elenco: Amanda Moreira, Lina Agifu, Roberto Rosa, Rodolfo Groppo
Direção Musical: Marcelo Onofri
Ritmos e Preparação Musical: Chico Santana
Figurino: Cássio Brasil
Concepção Cenográfica: Cia. Fábrica São Paulo
Projeto Carretinha/Palco: Roberto Rosa e João Donda
Produção: Roberto Rosa e Lina Agifu
Realização: Cia. Fábrica São Paulo, Prêmio Zé Renato de Teatro e Prefeitura Municipal de São Paulo
Apoio: Cooperativa Paulista de Teatro
Duração: 60 minutos
Classificação Etária: Livre
Site: www.ciafabricasaopaulo.com